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Como fazer acontecer a transformação digital com diversidade e inclusão

Realizada com muito sucesso de 9 a 13 de maio, a Semana da Transformação Digital, evento 100% online e gratuito promovido pela ABRH-SP, discutiu a digitalização do mundo do trabalho e os impactos da tecnologia em vários aspectos das nossas vidas, como saúde, educação, entretenimento e diversidade. Ao longo da semana, os participantes puderam assistir a 14 palestras, uma mesa redonda, cinco painéis executivos e cinco masterclasses.

Diretor de Inovação e Digital da Belgo Bekaert, André Ghion foi um dos palestrantes do primeiro dia do evento. Em uma conversa com o diretor de Conhecimento da ABRH-SP, Marco Ornellas, ele falou sobre o tema “O que é a tal da transformação digital e como fazer acontecer?”.

De forma didática, André explicou o que é a transformação digital. “Não é um processo de digitação, que se trata simplesmente de digitar e gerar um pdf de um manual de um carro, por exemplo. Também não é apenas a digitalização, que significa entregar algumas camadas de valor adicional. Nesse exemplo do carro, se eu pudesse apontar o meu celular para o painel e já ser direcionado para a parte do manual que se refere a uma luz piscando. A transformação digital é a nova camada. Envolve a digitação, a digitalização e todo o processo de mudança do jeito de trabalhar, agir e perceber as coisas.”

Mas por que a transformação digital é tão difícil de implantar? Primeiramente, porque não aprendemos na escola. Nem na formação básica, nem no ensino médio, muito menos na faculdade, já que se trata de uma carreira híbrida, na qual é preciso entender tanto de tecnologia como de ser humano. “Se o Chief Digital Officer (CDO) não tiver ao lado dele alguém de Recursos Humanos para fazer junto, nada acontecerá. Se não começar pelo RH, não haverá transformação digital. É uma pauta que o RH deve ´puxar´ de qualquer maneira, porque passa muitopela transformação cultural.”

Outra questão fundamental é a consciência da importância da transformação digital e da inovação para a companhia. O CEO, o board e o RH precisam colocar o tema na pauta, mas isso pode ser difícil porque vai concorrer com outras pautas, como, por exemplo, de ESG, que está na moda e é mais fácil de ser digerida. Além disso há as barreiras. RP, Jurídico, Compliance e o próprio RH podem atrapalhar defendendo posturas preestabelecidas há muitos anos. Até a área de TI pode ser uma barreira.

Ele citou um exemplo recente: já há uns bons anos muitos funcionários queriam trabalhar de casa e a resposta era não do RH, não do Jurídico e não de TI. Todo tipo de justificativa, lei, norma, compliance, política e por aí vai era usado. Ninguém tinha uma postura de desconstruir para construir. Daí aconteceu a pandemia e de repente todos aqueles que eram contra trabalhar de casa arrumaram soluções.

Segundo André, as empresas consideradas high tech não têm RP, RH, TI. Elas possuem o olhar e a postura de enfrentamento dessas barreiras naturais. Daí a importância do mindset de agilidade, que é outra forma de pensar e de quebrar barreiras, que destrói toda a hierarquia da empresa. O comando e controle acaba. “A função do diretor como a gente conhece hoje é extinta, porque quem está tomando decisão está lá na ponta. E como fica o papel do diretor e do CEO? É diluído em outras coisas que ele vai aprender a fazer e que agregam muito mais valor à companhia.”

Já a cadeira de transformação digital tem de estar ao lado das grandes funções, responder diretamente ao CEO, e muitas vezes ao próprio board, tem de ter um budget separado e ser gerida como se fosse uma área de negócios. Como vai trabalhar de forma colaborativa, também é uma área de suporte, a exemplo do RH. “Defino como uma área híbrida, muito diferente das demais”, explicou André. “Ela tem a governança sobre a transformação, a inteligência é dela, mas todo mundo faz parte.”

Por fim, o palestrante fez uma recomendação: que os envolvidos na transformação digital evitem o vírus do Gabrielão, conforme os versos da música de Dorival Caymmi, “Modinha para Gabriela”, que dizem: Eu nasci assim, eu cresci assim / Eu sou mesmo assim/ Vou ser sempre assim / Gabriela, sempre Gabriela. “Não dá para ser mais desse jeito. É hora de ter consciência de que é preciso mudar.”

Transformar sem excluir

Destaque da programação da terça, a palestra “A transformação digital ajuda ou atrapalha a diversidade?” reuniu três feras: Caio Bogos, CEO e fundador da aTip,  startup que atua construindo conexão entre neuroatípicos e o mercado de trabalho; Carolina Ignarra, CEO e fundadora do Grupo Talento Incluir, consultoria focada na empregabilidade de pessoas com deficiência; e Guilherme Gobato, sócio-fundador da Diálogo entre Nós, consultoria focada na interseccionalidade estratégica das pautas étnico-raciais, LGBTQIA+, pessoas com deficiência, gênero e geracional. Jorgete Lemos, diretora da Jorgete Lemos Pesquisas e Serviços, foi a moderadora.

Como enfatizou Caio, historicamente a comunidade autista é bastante negligenciada dentro dos processos de inclusão. Segundo estimativas, há 2 milhões de autistas no Brasil, sendo que 85% deles estão fora do mercado de trabalho. Para essa comunidade, a transformação digital trouxe benefícios como as tecnologias assistivas e o home office, porque muitos preferem trabalhar de casa ou precisam utilizar tecnologias que melhorem a fala ou ajudem na comunicação.

No entanto, o acesso a tais tecnologias e processos ainda é reduzido. “Grande parte da população brasileira tem problemas de acesso à internet. Há softwares e tecnologias incríveis, que podem mudar a vida das pessoas, mas que são bastante elitizados. É importante questionar o quanto estamos pensando na digitalização considerando outras minorias e outras realidades, além daquela da Zona Sul da capital paulista. Grande parte de quem encabeça a transformação digital são grupos privilegiados, que não pensam na existência de pessoas que não conseguem ter acesso”, alertou Caio.

Para ele, é importante questionar as plataformas que ajudam o RH no processo de atração e contratação, mas que não foram pensadas para quem tem um funcionamento cognitivo diferente. Os testes, por exemplo, foram pensados exclusivamente para pessoas típicas, não atípicas; e os processos em geral são pouco claros e muito longos, o que se torna uma dificuldade para a comunidade autista. “Quando a gente fala em inclusão de minorias, é preciso dar um passo para trás e repensar esses processos e fluxos, além de criar novas regras de softwares para atender essas pessoas”, ressaltou.

À frente de uma consultoria focada na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, Carolina ressaltou que a pandemia trouxe muita dificuldade para a sociedade como um todo, mas também trouxe ganhos, mostrando a possibilidade de um trabalho remoto com produtividade e isso abriu espaço para as pessoas com deficiência.

No começo, porém, não foi fácil. Como ela explicou, as pessoas com deficiência auditiva, por exemplo, enfrentavam dificuldades nas reuniões online em que as equipes ficavam com as telas fechadas, esquecendo que as pessoas surdas precisam das legendas que os aplicativos foram colocando aos poucos e da leitura labial. A transformação digital exige a transformação de comportamento, por exemplo despertando a consciência de que, ao abrir a câmera aberta, não só estou só humanizando uma relação digital, mas também incluindo pessoas que precisam de leitura labial.

Ela enfatizou a pouca representatividade que temos nos eventos digitais. “Enquanto a negritude e a comunidade LGBTQIA+ não estiverem presentes junto com a gente, vamos avançar apenas para quem tem facilidade. A convivência de pessoas diversas traz resultados muito melhores. Mas esses resultados só virão se as pessoas estiverem. A gente não consegue fazer nada sobre nós sem nós, como diz a máxima da convenção da ONU da pessoa com deficiência.

Carolina lembrou que devemos nos considerar privilegiados quando temos internet, um prato de comida e saneamento básico. Mas isso não significa que o privilegiado não teve esforços para chegar aonde chegou. “Ao se assumir privilegiado, temos uma responsabilidade a mais: a de ser aliado. Não é assistir a exclusão acontecer e falar: eu me mobilizo com isso. Precisa ter atitude. A exclusão digital não acontece sem a exclusão atitudinal. Todos podemos fazer algo.”

Guilherme aprofundou a questão do privilégio. Neste momento, 1,3 bilhão de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, segundo dados da ONU, sem acesso à educação, saúde, ao mercado de trabalho e à água potável. Ele perguntou: como dormir se estamos deixando esse número de pessoas à margem?

A questão central, na visão de Guilherme, é possibilitar afeto para gerar acesso. O afeto humaniza o que é humano, naturaliza o que é natural e, com isso, a inclusão se torna mais sustentável, perene, real, genuína e coerente. “Temos o dever ético e moral de prover acessos e gerar afetos via transformação digital em empresas que ainda estão discutindo o porquê de incluir pessoas trans em cargos de gerência ou o porquê de refletirem a representatividade de um país em que 56% da população é autodeclarada negra.”

Como ele ressaltou, o Brasil voltou para o mapa da fome durante a pandemia, com regressos de décadas de avanços sociais. Nesse cenário, como a transformação digital vai chegar à periferia e aos rincões dos rincões do país? “Como líderes de RH temos de questionar o quão estratégica está sendo a jornada da  transformação digital. Quem estamos trazendo e quem estamos apartando. Se não for interseccional, intencional e estratégico, nem a transformação digital, nem a inclusão de diversidade serão perenes e sustentáveis”, concluiu.

Fonte: Assessoria de Comunicação ABRH-SP

ABRH-SP

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